segunda-feira, 15 de junho de 2009

continuidade

Morri.

Para o mundo que vive
Para vida que percorri
Para o destino que me persegue...


Sobrevivi.

Aos atalhos mundanos
A preguiça matinal
As corridas pluvionais
Enquanto afundava-me
Num leito provisório...


Pretendo viver
Não para o passado
Que atormenta-me no presente,
Mas para o futuro
Que me levou a vaidade...


Pretendo.
viver por viver
Caminhar por caminhar
Sonhar por sonhar
... embarcar-me num mundo sem volta
19.02.2004

!!!!

Do preto e do branco
Só sobram frases,
Páginas rasgadas
Pelos pensamentos amigáveis
E ternuras
De mães melancólicas
Em busca de berços
Para preencher o vazio
Que a vida lhes oferece...
Quis por um instante
Abrir a página
Que te trouxe ao mundo
E indagar pelos porquês
Que o passado me expõe
E aos órfãos mundanos
Concebe como família
Em virtude do consolo...
Sei pintar de verde
O sofrimento dos poucos
A dor dos vividos
E os sonhos ocultos.
Sei gritar por palavras
Por sentimentos longínquos
Sem contestar o futuro...
Sei tudo o que deveria saber.
Só não sei
parar de sofrer,
parar de pensar.
Parar de amar...
De caminhar,
De conquistar...
Sei apenas
fazer parte
Do todo
E de nada.
19h 04’
10.09.2004

uma carta

Caro papel
Por muito que lhe rogue
Não serei digna
De deslizar por estas lindas folhas,
Em busca de asilo
às minhas preces.


Sou escrava aos meus pensamentos
Fiel as tuas regras
E obediente aos teus pedidos
Queria puder entregar-me
A frases mais longas
A frases mais claras.


Mas falta-me coragem
Desejo e vontade
De demonstrar ao mundo,
O quão lindas
São as palavras
Que te peço para guardar.


Não sei se saberei
Exprimir o que paira
Em meu ser.
Tenho muito por dizer.
Mas falta-me algo.
Falta-me uma sombra,
Quem sabe,
Que me oiça
Enquanto escrevo.

Já não sei
Como retirar esta lava
Sem incendiar
Estas belas folhas...
19h 34’
10.09.2004

Porquê tu, porquê eu

...
faz-te poesia,
quero venerar-te
compreender-te
e interpretar-te
entre alegorias e anáforas
...
faz-me romance,
história sem fim
capítulo de novela
trecho de um filme
...
sou poesia
diante das tuas carícias,
uma cantiga
entre os teus beijos,
uma prosa
quando me levas a devassidão
...
prisão perpetua
é o destino que me reserva
um amor assim
...
se te perder
encarcerar-me-ei
em folhas líricas
a procura de ternura.
...
Se me deixares
Deitarei minhas lágrimas
Em género de prosa
...
só serei o princípio
se me encaixar
ao que me foi reservado
e só serei o fim
se me tornar completamente
sua
...
01h11’
21.12.2004